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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rosas aos ventos




No quintal da rosa tem uma rosa cor de rosa
Tem um quintal em separado, para rosas vermelhas.
E outro para sentimentos das rosas sem cor
Todas em comum uma rima que não faço.
Prefiro a prece que faço de joelhos ao amor
Sou insidioso e desprezível
Tenho mãos de martelo
E boca de murmúrios
Nutro-me das rosas e prefiro seus espinhos
No meu peito a mesma cruz do calvário
Nosso senhor me marcou
Deu-me espadas e capas
E um coração de rosas
E duas mãos de espinhos
Uma cabeça de ninho
E pensamentos pássaros que transitam
Nos quatros ventos
Despejando de seus ventres
Excrementos lúdicos
Que serventia não tem
Senão estrumar as terras áridas
Onde os pés chutam minhocas
E as mãos trincham as terras para as rosas do futuro.

Arco de pua


Deixei a poesia nos guardados sem serventia,
Tomei as mãos: Martelo, formão e guia.
Desenhei nas madeiras, minha mais dura serventia,
Sou carpinteiro, construo coisas de alegria,
Bancos de descanso e molduras para retratos.
Faço com o esplendor do vazio
Nada penso
Nada questiono.
Não olho no entorno,
Meus irmãos são todos madeiras!
Todos têm olhos de prego e mãos de parafuso
Já não sou mais confuso;
Furo madeiras com arco de pua
Encaixo tudo e esqueço
O que foi um dia poesia

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Fui comprar peixe, ela já havia chego, e aguardava doação

Olhar de papagaio



Chove. De um jeito cioso e malvado.
Chuva que enternece e faz sofrer;
Meu coração e alguns barracos que gritam:

(Pendurados no morro!)

Me segura mais um minuto!
Deixa descer o últimos orfãos
Para que eu caia sem remorso!

No mais, a poesia segue seu rumo
e eu vou com ela para novo turno de lagrimas e aguardo.










segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A união dos três...


Cai a chuva abundantemente
sonorizando a tarde
molhando a terra
debulhando as flores do limoeiro
Lá dentro no escondido da cozinha,
sinhazinha faz café e o perfume
rege os hábitos e costumes
É hora é hora; diz o beija flor
Vamos todos engendrar a vida que não se perdeu...

A carta

Me perguntaram

E assim respondi

Saudações,
 Sei que sim! Um olhar que não seja passional sobre as relações interpessoais na atual sociedade humana, possibilitará a visão desta coexistência. Vou adiante e digo-lhe que o sentimento de Ódio, impulsiona o sentimento de amor. O amor ganhou nome e sobrenomes, quando o ódio foi impulsionado e tido como ferramenta destrutiva. No entanto do amor o que sabemos? Quais os estados d'alma de quem verdadeiramente ama? Será que o amor é esta associação de estados enfermiços que comumente afirmam os que dizem amar? Tipo: " Não vivo sem fulano(a)!" "Por eles, eu mato e morro!" Do ódio, todos achamos saber (semelhante ao amor) e costumamos afirmar:" Quanto ódio! E, com a mesma naturalidade dizemos: Eu odeio! Não, não odiamos! O ódio é sentimento para poucos... Os que verdadeiramente odeiam, já perderam de vista o que temos de mais precioso que é a capacidade de gerar vida, estão encrustados de chagas que devoram sua capacidade de orientar-se pelo sol, vivem nas trevas e ao olharem no espelho não veem senão a si mesmos, estes perderam a humanidade. Na atual momento da vida humana terrena, o ódio e o amor coexistem pacificamente... É função do arquiteto humano que traça na intimidade de seu ser, o seu futuro. Perceber a interação, que ele arquiteto, permite entre estas possibilidades distintas e separá-las, (ódio e amor) subjugando o ódio (capacidade destrutiva) com ações fortes, e para tal; usar de ferramentas que lapidem, metamorfoseiem, esta parcela de animália que existe, !em si mesmo e que homem denomina ódio. O amor de nada carece, ele subsiste a nós e em nós revelado é o supremo arquiteto

O pão do amor


Pão amanhecido e duro!
Na frigideira; um fio do santo azeite.
Uma dose de carinho e um regar de amor
Aperta bem com os dedinhos
Acrescenta Um pedaço deste queijinho
E vê? Ele já deixou de ser pão duro
Já um delicado pão levinho
Morde aqui! Vê?!
Amor é isso! Meu Amor!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Viagem astral

Deito e durmo.

E já não sei quem sou...

Este que sou acordado,

Dormindo; dar-se outro rumo,


E tamanha mudança ao vivo espanta!

O vivo, quando morto;

Sabe de cor e salteado


Das dores e dos consertos

Do pobre corpo deitado.


O vivo do corpo separado,

É um destemido soldado.


O vivo, no corpo enfermado

É triste amaranto

Que dormiu e sonhou

Estar livre e curado



Os olhos de Epicuro



O Gato espichado na grama.
Resmunga em ronronês:
Maldita preguiça!
Amado refrigério!

E olha amargurado, o beija flor que flui apressado
Entre as flores vermelhas do jardim...

Frases soltas, deixadas pelo vento;
Doam-lhe alento.
E o gato,
Verticaliza a íris de seus olhos azuis.
E num salto.
E se vai rumo ignorado.
Por sobre os telhados

A primavera n’algum lugar aguarda
Que o gato retorne.