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domingo, 13 de junho de 2010

Extase e Libertação


ÊXTASE



Em palavras doces, suaves,
Transcrevi;
O sonho que brotava do meu coração.

Não tive papel, não tive bico de pena.
Escrevi com carvão;
Escrevi meu verso de amor no chão.
Versos roucos, tímidos, soluçantes;

Versos de saudades e memórias;
Versos tingidos pelo sangue,
Que de minha mão escorria,
Sangue sacrificial, sem paga, sem alegria.

Meus versos!... De puro êxtase;
Instruídos pelos sons dos gritos.
Ah! Senhor que dá a paga aos conflitos

Versos desesperados foram os meus;
Versos, que logo foram varridos,
E assim, minha vida de poeta, se fez:
Entre martírios, risos e escárnios...
Versos malditos!

Clamor de amor e ilusão
Versos premidos, espremidos do coração,
Da vida me despedi,
Morto, fui ao chão, onde escrevi;

O corpo que tive, foi lançado e desprezado,
De vermes foi repasto; a flor da fome fui danado!
Não chorei! Não lamentei;
Olhei cada ação daqueles que me decompunham,
Abracei a ilusão da eternidade,
Nos dentes dos esfaimados,
Meus irmãos de sina e terra
Esquecidos, pisados!

Nos meus versos; ouçam...
Diásporas, Idílios e transcendências!
Na minha voz um canto:

Angola, Angola! Meu berço; minha casa destruída,
Minha memória dorida,
Mesmo que o tempo mate a sementeira
Sou poeta, e vi mares e homens, sorteando, agudas dores!

N’outra ação, chorei ao ver a ação das mãos
Que sem compaixão, partiam sonhos e recolhiam meus irmãos,
Em naus de perdição,

Memória eu sou e aqui estou
Na sombra dos vossos dizeres,
Nas lagrimas de vossas incertezas,
No vosso futuro,
Na vossa pele,
Nas vossas letras romanceadas,
No vosso sentir de doces encantos,
Saúdo-os, com o meu pranto
Meus encantos!... Sou Poeta!

RABE - Poeta Afro-Brasileiro

1 comentários:

Escobar Franelas disse...

Clap clap clap, meu poeta. Atingiu o nirvana, com esse seu poema desprendido de formulações mas denso e rico em desenhos imagétcos.