Nestes dias pardacentos, trago aqui meu lamento
Vede o sol, ainda brilha no firmamento!
Ilumina minha face e me dá o momento
Vede, a sombra que se esgueira paupérrimo;
É José, e, é nascido do ventre do egocentrismo:
Profusão que se propaga, e que se dá arrimo!
Vede; vai de mansinho, este José, o magérrimo
Filho do asfalto, morador do anonimato
Tem sede, tem fome e nenhum desiderato
Vede adiante, lá esta Maria, é filha da intransigência
Prima irmã da prepotência, Maria não é de indolência
Cata do lixo o desperdício e a quem lhe teme pede paciência
Maria acredita no futuro, hoje ganhou para comer com opulência
Terá meio quilo de carne moída, que será repartida com prudência
Entre cinco filhos de pais incomuns, todos nascidos da clemência
De deus; pois, a vontade dele em Maria impera com evidencia,
Sempre diz da vontade do senhor que a ela criou com sapiência,
Fez-lhe mulher, deu lhe ventre e a batizou com amor em abundância
Vede este filho é de Maria, lhe foi tirado antes mesmo de ser batizado
Perdeu-se na vida, no emaranhado de artifícios do desumanizado
Sorveu da fumaça do cachimbo endiabrado e morreu cedo danado
Morte em vida, vida de desalmado, choraminga e pede demasiado
É excrescência do humano, troço encetado pelo engenho do diabo
No asfalto tem seu chão, sua cama, seu traçado amortalhado
Seu corpo minguado é o entulho que estorva o passante apressado
Seu odor é convite ao repudio, que encobre o convite ao café perfumado
A metrópole não engana tudo tem seu lugar, tudo esta arranjado.
Vede Maria, vede o emaranhado no solo enrodilhado?
A ela tem valia, se valia tem, o pacote será desembrulhado
Quiçá, ali, naquele canto, na marquise do mercado,
O pacote tão largado guarde um bem a ser negociado
E Maria desfazendo o enrodilhado, queda-se no espanto pelo achado
Ali naquele embrulhado esta seu sexto filho ignorado
Vede que o poema é lúgubre e mal encetado, Maria é mãe deste endiabrado!
Este sexto filho, assim mal numerado, nascido e logo execrado
Maria chora e chora pelo inanimado; José seu filho no craque viciado!
3 comentários:
Rabe,
Um poema que emociona pela arte do bem escrever e pelo conteúdo sócio humanitário. Sou uma das muitas Marias que choram neste planeta pelas desafortundas Marias dos filhos nossos.
Carinhoso beijo, Rabe.
Rabe, prazer imenso conhecer seu blog e obrigada por ter aderido ao meu. Este poema simplesmente exuberante, eu comentei ontem em sua escrivaninha no Recanto. Venho depois para conhecer mais do seu blog.
Um abraço amigo,
Celêdian
Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog Vozes da Minha Alma. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs
Narroterapia:
Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.
Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.
Abraços
http://narroterapia.blogspot.com/
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