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domingo, 4 de julho de 2010

N'Zambi

N'zambi

Nesta estrada infinda,
A chuva cai em poeira,
Vertendo choro na minha face morena.

Ao toque;
Tenho na pele a cor das madrugadas de lua cheia
Um tempo curto e nenhuma certeza!

Nesta estrada, visto de longe o mar é o céu
Na mesma cor almejada por artífices do pincel
O sussurro do vento em suaves responsos
Pergunta-me; de afronta
Quem tece O azul e o verde
Das folhas de outono deste vosso lugar?

Neste cinza de minha vida,
Destruo com sonhos pueris:
Crepúsculos e manhãs!

Creio-me desperto;
Melhor seria definido,
Durmo desde o dia que nascido

No desaguado do rio,
Pedras choram em murmúrios arquejantes
Ficando pés na areia,
Temem;
Feito eu;
Os efeitos do arrasto, do mar monstruoso,
Que nos transportam vida afora,
Quebrando-nos nas ondas do absoluto.

Deus neste lugar é plúmbeo
E em farelos,
É feito das sobras, que alimentam o espúrio
De onde raízes brotam para o futuro.
Futuro? Eu, o mastigo,
Cuspindo sementes ao espúrio,
Onde deus ternura;
Bananeiras e quaresmeiras
Para seu enlevo de perfumes e doces.

No espúrio o bem nascido,
É espremido em enlaces de morte e vida
Olhando e querendo, o que do alto é vertido;

Aqui, como ai; deus é distante
E no sexo é atenuante,
Delira em arquejos suplicantes
A vida é aconchego e ferocidade

Na hora do ângelus
O sol é no alto e tisna quem lhe confronto
Abaixo nada mais se afigura belo
Do que ver o sumo vertido do corpo suarento do riacho
Corroendo nas sombras o tempo das rochas
Tempo
Temerário e necessário
Coerente e sábio
E desta sabedoria, penso, o que sei eu?
Quem me dá o erário
Para um trabalho que não é meu

O rio sabe de si,
E sabe que nada lhe é mais útil
Que o leito que não é seu.

2 comentários:

Blog do Akira disse...

A sabedoria dos rios, das florestas e do mar; a paciencia do mar e do tempo; imagens e lirismos amazônicos.
Parabéns, meu compadre.

mariavento disse...

A sabedoria da natureza.