Fernando Pessoa tinha homônimos
Que com ele tecia: verbetes e pantomimas
Beethoven tinha ouvidos e não ouvia (assim se dizia)
Eu ouço, e temo não ouvir a musica dos amores;
Que na poesia de Fernando é exoterismo cantante
E na musica de Beethoven é sufrágio e idílio
Eu pequenino diletante
Tenho comigo meus santos protetores
Bebem vinho e marafá
Cultivam amores e entoam clamores
Se nos meus versos corriqueiros
Tenho pitacos feiticeiros
É de bom alvitre que se diga
Nada mais é que fadiga!
Dos teus olhos cansados desta lida
De ler verbos amanteigados
Raspados ao toque de língua!
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