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sábado, 7 de agosto de 2010

Soneto - O caminho do guerreiro

Soneto - O caminho do guerreiro


O semba é bom! O café é amargo, e o pito; é pigarreio!
A casa Grande... É perto!... Mas, sendo perto, é distante do terreiro,
A senzala é aqui, onde estou, e tenho paciência! Sou guerreiro!
Sou faceiro, negro ligeiro, amarrado, sem amarras; sou certeiro!

Não tem dor, que o calor do meu amor não cale ligeiro,
Não tem carência do homem que deus não saiba o roteiro
Sou obreiro, tenho necessidade, mas não tenho desejo rasteiro.
E o açoite que sofro, não quebra minha cerviz, não sou forasteiro

Das coisas que não sei, não falo; e pelo que sei, no mundo, tenho telheiro!
Do pouco que sei; não falo o que antes já falei n’um verso verdadeiro!
Sou assim; o que queres tua vidência. Sou pobre; sou negro; sou passageiro!

E lhe digo; já passei pro lado de cá (da tua consciência) e nela proseio de alheio,
Tu me escutas, e se faz pergunta, eu lhe respondo, lhe propondo n’um gorjeio
Amar e perdoar; se fores capaz, faz outra rima, que te exprima na lida do guerreiro!

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