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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Soneto para Juliana

Vai criança, tu, com teus olhos pequenos e redondos,

Revelar o céu eclipsado de tua alma pura,

Desvelar nas linhas das tuas pequenas mãos

A frieza deste século, que mal inicia e já perdura,



Na falta de candura, no desdém no trato com tu criatura

Que com mãos pequenas espalmadas, junto ao peito, murmura

Preces misteriosas, feitas de choros e resmungos que a palavra ignora

Tu não tens futuro, teu passado é este presente de amargura.



Criança no teu país a pátria escondida fala por bocas de feiúra

São maltrapilhos escondidos na fria noite escura

São dementes tecendo o manto da desgraça futura



Criança, meus olhos duros, é o que tenho de ventura

O pão que ofereço, são estes versos pudicos de estranha lisura

E inúteis artifícios, que logo lido, passam ao longe da ternura.

2 comentários:

Blog do Akira disse...

Salve, salve, meu poeta. Faço meus os versos duros desse poema pungente sobre inocencias indefesas.
Um abraço do Akira.

Graça Pires disse...

Um soneto muito comovente e lúcido.
Um beijo.