Serenei o animo
Do meu coração disperso
Respirando ar
Em longo hausto
Centralizei meus olhos
No espelho
Minha imagem
Caricatura que o vento deforma
Desmanchou-se
Pronto
Sou este outro que divisas
No barroco da moldura
Nem no repouso encontra a paz que espera, Para lhe adormecer toda a quimera, Os circulos fatais do seu inferno - Cruz e Sousa.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
SUBSTRATO
O lixo é moderno
Traz consigo seres subalternos
Primos – irmãos:
Baratas no armário
Ratos no porão!
Camundongos,
Na cama entre irmãos
Dividindo o mesmo pão
E que quimera
O pet enfeita o natal
Símbolo de algo que já era
Que já foi e que não mais se espera
Em mim o cristo derriba
Velhos apetrechos de guerra
Traz consigo seres subalternos
Primos – irmãos:
Baratas no armário
Ratos no porão!
Camundongos,
Na cama entre irmãos
Dividindo o mesmo pão
E que quimera
O pet enfeita o natal
Símbolo de algo que já era
Que já foi e que não mais se espera
Em mim o cristo derriba
Velhos apetrechos de guerra
Minudências e reticências
Nenhum ai, nenhuma ausência,
Nenhum tropeço na saudade.
Só este espaço no peito,
Esta sacola vazia!
Nem mesmo o alarido das cotovias
Alarga o horizonte destes dias
Nenhum tropeço na saudade.
Só este espaço no peito,
Esta sacola vazia!
Nem mesmo o alarido das cotovias
Alarga o horizonte destes dias
Cadência
Estou no canto da praia
Onde deságua o rio.
Tenho os pés no chão;
A Cabeça no coração.
Sinto o vento,
Sinto o perfume,
Das flores que não sei onde estão!
Dotes do meu corpo.
Alivio para minha alma!
D’outra forma, nesta calma,
Primo à solidão!
Onde deságua o rio.
Tenho os pés no chão;
A Cabeça no coração.
Sinto o vento,
Sinto o perfume,
Das flores que não sei onde estão!
Dotes do meu corpo.
Alivio para minha alma!
D’outra forma, nesta calma,
Primo à solidão!
TÁCITO ENCONTRO
Lírios brancos no vaso de plástico.
A sala repleta de um vazio informe,
Direciona os olhos
Para a mesa de canto:
Na madeira lixada que a compõe
O instante da graça.
Nas flores, o simples que Deus é!
Naqueles olhos o mesmo pranto
Tantas vezes simplificado
Chorei com eles até o amanhecer
A morte é acontecimento que regula a vida!
Mas não diga isto para as mães!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Versos transeuntes
Fui lá ao mato
Fazer poesia
Encontrei de fato
Quem melhor fazia
Sabiá! Que eu já sabia;
Que logo cedo, solene ato fazia,
Gorjeando versos de ambrosia
Só não sabia do triste trato
Seu palco é no alto
Perto deste que é abstrato
Deus é sumário e de fato
Sabiá sabe e gorjeia
Triste apostasia:
Eu, eu, criei, criei,
Morreu, morreu
Crio de novo?
Crio de novo?
Fazer poesia
Encontrei de fato
Quem melhor fazia
Sabiá! Que eu já sabia;
Que logo cedo, solene ato fazia,
Gorjeando versos de ambrosia
Só não sabia do triste trato
Seu palco é no alto
Perto deste que é abstrato
Deus é sumário e de fato
Sabiá sabe e gorjeia
Triste apostasia:
Eu, eu, criei, criei,
Morreu, morreu
Crio de novo?
Crio de novo?
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