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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mimitismo

Balouça o barco nas águas verdes
Balouça o barco azul nas águas verdes
Balouça o pequeno barco azul nas águas verdes
Balouça o pequeno barco azul
Nas águas verdes marinhas

Balança na proa a avezinha
Balouça a avezinha
Emplumada na proa azul
Balouça e balouça esperando
A consumação

A avezinha tremula ao vento
E o vento tremula o barquinho
Desespera-se o pescador,
Seu barquinho pequeno
Seus sonhos pequenos
Seu coração aos saltos
Suas mãos ao alto
Sua vida em contralto
O vento balouça sua angustia
Seus olhos nada vêem
Sua boca medita falas antigas
A avezinha tremula as asinhas
E empluma a cabeçinha e voa

E a solidão cresce no céu e na terra
O vento desespera sem remorsos
E desanda à noite ainda que dia

E o pescador olha a casaria
Olha a terra, olha ao longe
A casa que o espera
Seu amor que ao temor refrigera
Olha os raios que iluminam a meia esfera

E a chuva:
Lava o pescador,
Lava a ferrugem,
Lava meus olhos
Lava a ponta da praia
E escorre na areia, murmurando... Sereia, sereia,

E o fim se achega
E já é possível ver o céu azul
Já é possível ver o horizonte
Já é possível navegar
Já é possível terminar

1 comentários:

Nathacha disse...

Parabéns pelo blog, com toda certeza estou te seguindo, se puder retribuir, ficarei grata.

Um doce beijo

Nathacha Phatcholly

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