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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Rosas aos ventos




No quintal da rosa tem uma rosa cor de rosa
Tem um quintal em separado, para rosas vermelhas.
E outro para sentimentos das rosas sem cor
Todas em comum uma rima que não faço.
Prefiro a prece que faço de joelhos ao amor
Sou insidioso e desprezível
Tenho mãos de martelo
E boca de murmúrios
Nutro-me das rosas e prefiro seus espinhos
No meu peito a mesma cruz do calvário
Nosso senhor me marcou
Deu-me espadas e capas
E um coração de rosas
E duas mãos de espinhos
Uma cabeça de ninho
E pensamentos pássaros que transitam
Nos quatros ventos
Despejando de seus ventres
Excrementos lúdicos
Que serventia não tem
Senão estrumar as terras áridas
Onde os pés chutam minhocas
E as mãos trincham as terras para as rosas do futuro.

2 comentários:

Ange disse...

Poeta Rabe, boa tarde!
Sempre maravilhoso em seus textos!
Muito belo e criativo este jogo com as palavras.
Minha admiração de sempre!
Foi um prazer voltar aqui neste seu espaço.
Uma linda e inspirada tarde para você!
Lembranças
Ange,

Edith Lobato disse...

Estive um tanto afastada das minhas leituras por bloblemas de força maior. Mas estou voltando a regar meu velho e prazeroso hábito da leitura e da reflexão. Rabe,aprecio demais a leitura dos vossos escritos, observo tudo o que meus olhos e minha mente alcança. Outro dia, no Recanto das letras li textos maravilhosos seus. Como este, Rosas aos ventos, um texto para se ler e refletir na mensagem descrita atras das janelas das palavras. As rosas sem cor, ah, caro poeta, quantas existem? Tantas, não é mesmo? O número extato não sabemos, mas sabemos que em cada canto e pode ser bem ali, pertinho da gente, há uma rosa despedaçada, sem cor, sem olor , apenas com os pés a "chutar as minchocas da terra árida". Parabéns, e perdão pela delomga do comentário.